A Literatura Fantástica Feminina no Brasil – 20 obras online para conhecer

Para complementar o meu post no meu blog pessoal, resolvi fazer uma lista de 20 trabalhos online das nossas autoras para serem lidos e degustados. Aproveitem as comemorações do dia internacional da mulher e conheçam o talento feminino.

Adriana Rodrigues – Bram e Vlad (webcomics)
Alliah – Quem atirou na minha cabeça? (audio)
Ana Cristina Rodrigues – A morte do Temerário
Ana Lúcia Merege – Linha de montagem
Camila Fernandes – Verde efêmero do Éden
Carolina Munhoz – Fui uma boa menina?
Flávia Côrtes – Taxidermia e Quiromancia
Giulia Moon – Bananas, bananas
Kamille Girão – White Queen
Ludmila Hashimoto – A verdade é como o sol
Maria Claudia Muller – Eu queria ser um dinossauro e Desmortos (um livro infantil e um Young-Adult completos)
Maria Helena Bandeira – Eu mesmo e De longe, entre as bétulas
Martha Argel – O mal que as estatísticas ocultam
Nikelen Witer – Minicontos de fadas e Excertos do livro de Judite
Simone Sauressig – A senhora Mueller vai ao shopping
Tânia Souza – Da inexistência, ela se fez tinta e cor

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Dando a mão – parte III

 

 

Inspirada pelo exemplo do programa Shared Worlds – que incentiva adolescentes a escreverem literatura fantástica – chamei alguns amigos escritores para darem uma mãozinha e um conselho amigo a quem está começando. Conforme forem chegando, vou postando aqui para vocês. 

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Sinta-se mais despido no texto do que você se sentiria se tirasse a roupa no meio de uma praça cheia de desconhecidos.

Alliah

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Dando a mão – parte II

Inspirada pelo exemplo do programa Shared Worlds – que incentiva adolescentes a escreverem literatura fantástica – chamei alguns amigos escritores para darem uma mãozinha e um conselho amigo a quem está começando. Conforme forem chegando, vou postando aqui para vocês. 

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Desde o início dos tempos, histórias são usadas para explicar o mundo, para ensinar lições, para iluminar vidas. Orgulhe-se de sua arte e a exerça com amor.

Ana Lúcia Merege

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Dando a mão – parte I

Inspirada pelo exemplo do programa Shared Worlds – que incentiva adolescentes a escreverem literatura fantástica – chamei alguns amigos escritores para darem uma mãozinha e um conselho amigo a quem está começando. Conforme forem chegando, vou postando aqui para vocês. 

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Se você escreve por amor e ganha dinheiro, está no lucro. Se escreve por grana e sem gostar, mesmo que fique milionário, sairá perdendo.

Ana Cristina Rodrigues

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Geração SubZero – Tomaz Adour

PENA, Felipe. Geração SubZero, Record, 2012, 320 pp.

Contos de Eduardo Spohr, Thalita Rebouças, André Vianco, Juva Batella, Pedro Drummond, Luiz Bras, Luis Eduardo Matta, Eric Novello, Sérgio Pereira Couto, Estevão Ribeiro, Raphael Draccon, Delfin, Ana Cristina Rodrigues, Júlio Rocha, Helena Gomes, Carolina Munhóz, Vera Carvalho Assumpção, Martha Argel e Cirilo S. Lemos.

 

É difícil fazer a avaliação de um livro depois de vê-lo sendo mal analisado pela crítica. Por um lado, torcemos para que estejam errados mas inevitavelmente expectativas são formadas. Após começar a ler GERAÇÃO SUBZERO tive a grata surpresa de ver que os críticos exageraram e não entendem nada de literatura de entretenimento. Mas ao fim do livro, ficou uma frustração. Ou seja, o livro não é ruim como criticaram mas ficou aquém do que poderia ter sido. Perdeu-se a oportunidade de mostrar uma coletânea com uma boa amostra dos atuais autores de literatura de entretenimento.

O livro começa com “O cão” de Juva Batella. O currículo do autor faz esperar um texto rebuscado e os primeiros parágrafos são chatos. Mas a história começa a te envolver e o final é engraçado. Não fosse uma piada velha, seria original. Mas como nem todo mundo conhece a piada, o livro começa bem e diverte no primeiro conto, fazendo o leitor querer continuar.
Com “Os cristais de prata”, Pedro Drummond conta uma história de amor e jornalismo que seria perfeito não fossem algumas palavras rebuscadas, que fizeram parecer que o autor usou um dicionário para tornar a história mais intelectual, e pelo final confuso. Até agora não entendi quem era quem, o que considero um erro de entretenimento, quando os leitores simples querem tudo mastigado. Mas vale por ser muito bem escrito.
Partimos para a “Canção de Maria”, de André Vianco. Se não soubesse quem é o autor, diria que é uma boa história evangélica, com os cenários bíblicos muito bem descritos e seria adorada pelos cristãos caso não fosse o livro de um autor de vampiros, que guarda a surpresa para o final. Muito bem escrito e que prende o leitor.
De Vianco para a best-seller Thalita Rebouças com sua história “Na maternidade”. O texto flui como os de seus livros para adolescentes, mas peca por deixar óbvio o final desde o início. É uma história que parece mais uma conversa de bar. De fácil leitura mas com final dividido entre uma quase piada e sentimentos piegas.
O livro fluía bem quando cheguei na história de Eduardo Spohr, “Fogo e Trevas”. Como não sou um fã de literatura fantástica, o conto não me atraiu, me pareceu parte de um romance com um final jogado com o que se passou seis meses antes da grande ação. Não entendi a escolha. Tendo lido outros livros do autor, esperava mais.
Chegamos ao conto muito bem elaborado de Luiz Bras, “O índio no abismo sou eu”. Não sendo fã ardoroso de ficção científica mas interessado nas previsões futurísticas dos autores do gênero, o conto me agradou muito. Sólido, bem escrito, com conteúdo, mesmo tendo demorado a engrenar e conquistar o leitor. Procurarei ler mais coisas deste autor.
Luis Eduardo Matta conta uma história de possessão demoníaca em “A filha do diabo”. Talvez por ter sido estragado o final após ter lido a crítica no jornal, o conto não me gerou surpresas. Ficou parecendo um filme de terror a ser desenvolvido e aumentado. Não contarei o final para que o leitor tenha a sua surpresa. Mas depois do Exorcista, é muito difícil que alguém escreva um conto sobre diabo que surpreenda os leitores.
Em “Dê-me abrigo”, Sérgio Pereira Couto desenvolve uma boa trama de teoria da conspiração, onde soldados americanos são influenciados pela repetição de músicas e agem violentamente quando as ouvem. Daria um bom romance pois no conto acabamos não torcendo por nenhum dos personagens, que poderiam ser melhor definidos numa história maior que daria um bom suspense.
Estevão Ribeiro, em “Ao cortar os cordões” aborda o tema de que somos todos manipulados e que precisamos nos salvar. Mas a história é contada por dois homens num bar e não fica claro quem é quem e qual o objetivo da história. Merecia uma edição e desenvolvimento maior, o quer eu esperava deste ótimo autor do livro “A corrente”.
Confesso que fiquei decepcionado com “O primeiro dragão” de Raphael Draccon. Admirador de sua ótima série “Dragões de éter”, acabei ficando no ar neste conto que ficou com cara de trecho cortado de algum livro. Muitos personagens pouco definidos para um conto, o que daria certo num filme, mas não gerou empatia com nenhum dos personagens no conto.
Ana Cristina Rodrigues desenvolve uma trama futurística em “O preço de uma escolha”. Ela entende do tema mas precisa tomar coragem para dar saltos maiores e escrever um romance de ficção científica brasileiro, pois suas descrições e criatividade já mostram talento para isso.
Julio Rocha parece que enviou um conto às pressas com “O Polaco”. A história narra a vinda de um jovem do interior para o Rio e sendo confundido com um traficante. Não entendi o que ele quis mostrar, pois o conto é curto e ficou a impressão de que não importa o que acontecesse com o personagem, pois ele não gerou o menor carisma na leitura. Sendo autor de excelentes romances, esperava realmente uma surpresa no final, que não veio.
Helena Gomes, em “Para sempre em um dia” narra a história de mortos-vivos na idade média. Como alguns outros autores citados, é um conto bem escrito mas que poderia ser desenvolvido para um romance. Gostei das partes curtas de texto e do ritmo, mas ficou a impressão de “Acabou?”.
Carolina Munhóz conta a história disfarçada de Amy Winehouse em “Outra vez na escuridão”, como se a cantora fosse protegida e amaldiçoada por um anjo/demônio. Um conto para fãs da cantora ou fãs de fadas. Não sendo minha praia, fiquei indiferente.
Vera Carvalho Assumpção conta a história de uma cruz que anda pela cidade sob o ponto de vista de uma negra alforriada em “A sabedoria de Clementina”. Como é pequeno, não dá para contar muitos detalhes sem estragar o final. Admirador de seus romances policiais, ficou a sensação de que faltava algo neste conto.
Martha Argel tem sempre um texto bem escrito e que flui, como em seus romances. Só o título atrapalha um pouco e se mudasse para algo como “O velho mais mentiroso do mundo” ficaria bem melhor. Mas a história é boa e tem início, meio e fim, como se espera de um bom conto.
Janda Montenegro, em “Outras onomatopeias” escorrega num conto onde demonstra agilidade de texto mas falha no conteúdo. Podemos até assumir que uma empresa mandasse um gerente buscar documentos em São Paulo na véspera de um feriado. Mas ser parado numa blitz onde os policiais falam um arremedo de inglês e português com a premissa de que os brasileiros estão ensinando gringo a fazer blitz incorre no erro de legalidade e exige do leitor um esforço de que temos algo para ensinar para países que estão muito a nossa frente. Aceitar isso seria como ensinar a Coca-cola a fazer refrigerante ou a IBM a fazer computadores. Ficou parecendo que não houve editor para dar uns toques e melhorar a trama.
Delfin, em “O escritório de design probabilístico” desenvolve uma boa história onde um grupo de seis homens se encontra diariamente para responder perguntas aparentemente sem sentido, sem terem chefes, cumprindo horários britânicos e recebendo um bom salário. Um bom conto do absurdo e de paranoia.
Eric Novello, em “um chá com Alice” demonstra habilidade de texto num conto de conteúdo psicanalítico, onde há um embate psicológico entre paciente e médico. Com críticas e recriminações de ambas as partes, mostra a aparente inutilidade do tempo gasto em sessões de psicanálise.
Cirilo S. Lemos fecha a coletânea com “A lua é uma flor sem pétalas”, que me lembrou o estilo do William Gibson um pouco exagerado na criação de termos futuristas mas que finaliza com uma boa história, bem contada, num possível futuro cibernético. Uma boa história para fechar o livro, que agradará mais aos fãs de ficção científica e cyber punk.

 

Como resultado final, o livro é bom mas merecia mais tempo para trabalhar melhor alguns contos ou mesmo substituí-los por outros. Escrever contos não é fácil. Um dos melhores escritores de literatura de entretenimento no mundo, o inglês Jeffrey Archer, com mais de 200 milhões de exemplares vendidos, é um mestre no gênero e se destaca pelos finais inesperados, definido pela expressão “A twist in the tale”, título inclusive de uma de suas coletâneas. Um conto precisa conquistar o leitor e uma virada no final dá o gostinho de que valeu a pena. Poucos contos desta coletânea conseguiram isso, talvez porque seus autores estejam mais acostumados a escrever romances. Mas se todas as histórias tivessem um início, meio e fim e não fossem confusas, as histórias teriam muito mais chance de conquistar um público maior para a excelente seleção de autores.
Fica a sugestão de que seja feita uma coletânea com mais rigor e mais influência editorial, não se preocupando com a data para lançar mas sim para que as histórias agradem muito mais o leitor, aproveitando a chance para convidar mais alguns excelentes autores da nova literatura de entretenimento do Brasil.

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